Pombal . Antigo Biotério de Pequenos Animais da Fundação Oswaldo Cruz
Histórico do Monumento
O antigo biotério para pequenos animais, conhecido como Pombal, construído em 1904 a partir do projeto do arquiteto Luiz Moraes Júnior, integra o conjunto arquitetônico original da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Localizado na Avenida Brasil, na zona Norte da cidade do Rio de Janeiro, foi construído no início do século XX, em 1904, projetado para abrigar animais de pequeno porte utilizados em pesquisas científicas. O Pombal utilizava pombos-correio que promoviam a comunicação entre as unidades da Fiocruz, no Rio de Janeiro, na primeira metade do século 20.
O Pombal é formado por oito construções circulares agrupadas em dois pátios simetricamente dispostos ao redor de uma torre, o conjunto é cercado por muro que acompanha o desenho dos pequenos pavilhões e percorre todo o perímetro. Por se tratar da edificação mais alta do conjunto, a arquitetura da torre se destaca, exibindo elementos decorativos em argamassa, como o corrimão da escada, feito com a técnica construtiva da rocaille.
O Restauro
O projeto de restauração propôs a remoção das interferências inseridas em reformas passadas, como, por exemplo, o fechamento dos
módulos, instalações subterrâneas danificadas, entre outras, para liberar os elementos que estavam prejudicando a visão do conjunto arquitetônico e seu bom funcionamento enquanto sistema.
Os primeiros meses da obra de restauração do antigo Biotério de Pequenos Animais – Pombal foram dedicados para definição de estratégias de estabilização do solo. Ficou constatado que as fundações dos módulos se comportavam de maneiras diferentes, tinham profundidades variadas e exigiram definições de estabilização no decorrer das escavações. Toda atuação e qualquer movimentação de terra foram acompanhadas de um monitoramento arqueológico previamente aprovado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Portanto, foi desenvolvido um projeto de monitoramento arqueológico para verificar a localização de possíveis restos arquitetônicos ou achados de interesse da arqueologia com contextualização histórica e/ou pré-histórica.
Após a finalização do serviço de estabilização estrutural executado com solo-cimento – a etapa mais importante para melhoria do solo de confinamento das fundações e sustentação do monumento – foi possível avançar para etapa de execução de selo de argila nas áreas descobertas, visando justamente a proteção do solo-cimento. Testes e protótipos foram realizados para validação da equipe de fiscalização da Fiocruz, que consistiram em uma pequena amostra de alturas do solo-cimento, pó de pedra e contrapiso que circundam os módulos.
Na torre, foram realizados processos de reintegração das alvenarias, com recomposição dos revestimentos internos, em argamassa tipo marmorino branco, e revestimentos externos em argamassa pigmentada texturizada, no estilo pedra fingida, definido após análises visuais das áreas remanescentes do revestimento histórico. A estrutura foi restaurada, assim como os revestimentos da cobertura, em argamassa
pigmentada idêntica aos originais do conjunto e os elementos em rocaille.
A restauração de cada módulo foi feita em duas etapas. Primeiro, foi realizada a retirada da camada de argamassa pigmentada da cobertura, executada em intervenção sofrida pelas edificações na década de 1990 e que se encontrava em desprendimento, e a execução de regularização do revestimento antigo para posterior realização de novo revestimento de argamassa pigmentada semelhante à cor de cerâmica das telhas. Em seguida, as paredes de cada módulo passaram por reintegração e recomposição dos revestimentos internos e externos em cimento queimado. Os pisos receberam contrapiso de concreto e foi executado novo sistema interno de drenagem. Também foram restaurados elementos em rocailles e executada a recomposição das calhas das coberturas. O portão metálico original foi retirado para adaptação à nova proposta do projeto, que previu o alargamento dos vãos fechados permitindo livre acesso para todo e qualquer indivíduo.
Todo o projeto foi desenvolvido para garantir acessibilidade plena a pessoas com deficiência em todas as áreas visitáveis. Para isso, foram construídas rampas internas nos pátios, permitindo a circulação de pessoas entre os dois níveis correspondentes aos acessos da edificação histórica. As rampas, prioridade na implantação, receberam acabamento liso nos patamares e escovado nos trechos inclinados. No entanto, nas áreas de circulação intramuros e perimetrais com desnível muito acentuado, não foram executadas rampas e, sim, degraus com longos patamares interligando os desníveis existentes. Durante a obra, as inclinações, geometrias e níveis seguiram rigorosamente as especificações do projeto, garantindo segurança e conformidade.
Na fase final da obra, foram realizados serviços de marcenaria nas portinholas das gaiolas. A reprodução dessas portinholas, assim como dos estrados, seguiu as características originais, incluindo dimensões e formato. As molduras das gaiolas foram desmontadas, limpas e remontadas, utilizando cola à base de PVA e cavilhas de madeira para garantir ligações reforçadas e duráveis. A madeira foi raspada e lixada até eliminar poeira, farpas, manchas de gordura, assegurando acabamento uniforme.
Pequenas lacunas ou falhas foram reparadas com pasta feita de mistura de acetato de polivinila e pó de madeira, aplicada com espátulas. Outro serviço concluído foi a restauração dos tijolos e da argamassa pigmentada do muro externo. Os tijolos em cerâmica que não puderam ser restaurados foram substituídos por novos, produzidos na obra com argamassa de cimento.
A infraestrutura existente das instalações elétricas, dados e telefonia foi completamente substituída e nova estrutura foi executada para dar mais
funcionalidade ao espaço. Em todos os módulos (com exceção do módulo testemunho que permanece com piso solo-cimento) foram instalados deck de madeira sobre o contrapiso executado. O contrato também incluiu a instalação de um novo sistema de proteção contra descargas elétricas (SPDA), planejado para a área externa do conjunto histórico, sendo de grande importância para garantir a segurança do Pombal.
Na área externa, foram executadas duas canaletas de drenagem superficial e subsuperficial, localizadas na parte alta do terreno, e perfurados 24 poços de infiltração (PINFs) espalhados pelo complexo. Após a perfuração, os poços foram preenchidos com brita ensacada em tela plástica. Além disso, a regularização do perfil de todo o terreno da quadra onde se encontra o conjunto arquitetônico foi realizada. O novo paisagismo trouxe vida e cor ao conjunto arquitetônico, complementando a estética e o entorno do Pombal.
Após finalização da obra, o espaço recebeu uma exposição de longa duração e foi incorporado ao circuito de visitação do Museu da Vida Fiocruz.
Ficha técnica
Localização: Rio de Janeiro (RJ)
Período de restauração: Janeiro/2023 a dezembro/2025
Data de construção: 1904
Proteções existentes: Tombado como Monumento Nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan)
Obras de restauração: Arquitetônica
Registro fotográfico: Marcos Reis
